domingo, 14 de abril de 2013

Folheou o livro. Como quem procura distraidamente um culpado.



Depois de quase dois capítulos, percebeu que havia passado do ponto onde deveria descer. E por está longe o bastante, (em senso de direção e literatura) mais valia continuar a ler aquelas páginas amarelas cheias de eufemismo e feminilidade.


“Era toda linfa. E por baixo de tantas barras, tudo se fazia aquoso e quente. O orvalho tomava o corpo inteiro. Nada podia contra o desejo de uma mulher por outra. Com as pontas dos dedos tocaram-se simultaneamente o rosto. Os lábios eram virgens e frescos. Molhavam-se com a vontade do sabor oposto. A mesma costela. O mesmo anseio. O sangue fervia dentro das veias acesas e salientes. Perdiam-se roupas e medos na mesma proporção. No seio, avermelhado pela vergonha que Já lhes faltavam, cravavam-se unhas e dentes. Poros tremiam e esquentavam a coluna vertebral. (...)”.


O livro que recebera, sabe-se lá por que secreto amor causava-lhe sensações alheias. De repente achou que todas as mulheres observavam-na. Mesmo não havendo uma só que soubesse que entre as mãos quentes que seguravam o livro no colo e o banco cinza e feio, havia também uma força. Uma pressão: bem no meio das pernas.

terça-feira, 2 de abril de 2013

12:27 a.m.



Sentadas - ou quase deitadas uma na outra, acarinhava-se entre cabelos soltos e pés descalços num banco de jardim excessivamente pálido e gasto.

O sol brilhava nos olhos dela.

- Lis, o que é o infinito? Perguntei.

Ela riu. O seu riso acariciava o meu rosto. Ela sabia que estava prestes a encorajar uma pergunta tola. Imperguntável.

Assoprou um dente-de-leão.
Trancou o coração às pressas. Protegeu-se das borboletas no estômago. E respondeu com toda a certeza que poderia ter.

- É o seu amor por mim!