“Era toda linfa. E por
baixo de tantas barras, tudo se fazia aquoso e quente. O orvalho tomava o corpo
inteiro. Nada podia contra o desejo de uma mulher por outra. Com as pontas dos
dedos tocaram-se simultaneamente o rosto. Os lábios eram virgens e frescos.
Molhavam-se com a vontade do sabor oposto. A mesma costela. O mesmo anseio. O
sangue fervia dentro das veias acesas e salientes. Perdiam-se roupas e medos na
mesma proporção. No seio, avermelhado pela vergonha que Já lhes faltavam,
cravavam-se unhas e dentes. Poros tremiam e esquentavam a coluna vertebral.
(...)”.
O livro que recebera, sabe-se lá por que secreto amor
causava-lhe sensações alheias. De repente achou que todas as mulheres
observavam-na. Mesmo não havendo uma só que soubesse que entre as mãos
quentes que seguravam o livro no colo e o banco cinza e feio, havia também uma força.
Uma pressão: bem no meio das pernas.
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