Punhos atados.
Boca molhada.
Faltava ar.
Entre um movimento e
outro, Alice empinava o corpo. Suspirava. E com os olhos levemente fechados, dizia coisas desconexas. Do tipo: “As nuvens são tão macias, assim de perto.”
ou “Eu só quero ver com você os tons de
azul do céu.”. E beijava meus olhos com os seus olhos ternos.
Sentava na sua cintura
depois disso. De joelhos entre o seu corpo, imaginando que entre nossas carnes
haviam corações coloridos, listrados ou no mínimo: florescentes. E eu logo
desatava os nós cegos de seus punhos. Ela tocava meu coração. Eu tocava o dela. Só assim poderíamos deixar de caber em qualquer buraco perto da solidão.
Alice dizia que meus
medos alcançavam o teto, quando eu a acarinhava em seus sonhos. Eu nunca
acreditei. No sonho, não em Alice! Mas suspeitava constantemente que ela feita
de açúcar ou alguma coisa bem doce. Fácil de diluir. Porque ela parecia de
mentira – aquelas de dizer pra si mesmo, quando se está a poucos segundos de um
sono profundo.
Continuava a
beber. O líquido escorria quente pela
minha garganta. E um pouco depois por entre os seios de Alice. Descia
delicadamente. E o rastro era condenado à língua. Era tudo tão breve.
Eu sempre acordava com
o livro na mão. Com a capa cada vez mais
riscada. Lia-se: Alice no País das
Armadilhas.

Uau, que surreal.
ResponderExcluirMinha loucura é sempre bem-vinda! Rs
Excluir